terça-feira, 1 de maio de 2018

1 de maio


Quando a 1 de maio de 1886, se realizou uma manifestação de trabalhadores nas ruas de Chicago, lutava-se por melhores condições de trabalho e desta forma esta data esteve sempre associada à melhoria das condições dos trabalhadores. Com o passar dos anos a luta dos trabalhadores foi sofrendo adaptações de acordo com novas exigências. 

Vivemos um novo tempo e atualmente uma das maiores preocupações para os trabalhadores em geral e para os açorianos em particular é a criação e manutenção de postos de trabalho. Esta preocupação assume particular importância no nosso arquipélago em virtude de algumas ilhas estarem a perder população. 

Hoje, dia do trabalhador, talvez fosse importante saber se os nossos governantes têm feito tudo o que está ao seu alcance para criarem postos de trabalho.

Entre as várias atividades económicas o comércio é uma das áreas que pode gerar muitos postos de trabalho. Quando compramos na região estamos a sustentar postos de trabalhos diretos e estamos a injetar capital na nossa economia o que tem um efeito multiplicador, potenciando postos de trabalho indiretos. Conscientes deste facto, várias têm sido as entidades que têm desenvolvido campanhas para que se consumam produtos açorianos.

Sabendo que o Estado tem um peso relativo muito significativo na nossa economia, deveríamos ter conhecimento do real contributo que este tem dado para o nosso comércio. Desta forma, deveriam ser divulgados os montantes que a região paga com um IVA de 18% e os montantes pagos com um IVA de 23%, bem como as áreas em que estes montantes são pagos. Estes dados deveriam ser revelados pelas Direções Regionais, no caso do Governo dos Açores, e pelas Câmaras Municipais, no caso do poder autárquico.

Quem não deve não teme, diz o povo, por isso não encontramos razões válidas para que estes valores não sejam divulgados.
É importante salientar que o Estado só existe nos Açores porque existem açorianos e é seu dever contribuir para que existam condições que permitam a fixação das populações de forma a inverter a tendência centenária de ver os açorianos partirem.

Dr. Rui Machado de Medeiros

quarta-feira, 25 de abril de 2018

Os donos da liberdade





A liberdade não tem forma especifica, não tem cor, não tem cheiro nem personalidade própria. Muitos tentarem defini-la e várias foram as ideias que daí surgiram não havendo unanimidade. Mesmo sendo um conceito muito abrangente conseguiu suscitar muitas paixões e muitas foram as pessoas que se sacrificaram por ela.

Todos os que lutaram pela liberdade têm o nosso respeito e estamos profundamente agradecidos, pois, as consequências que esta luta trouxe para as sociedades foram sempre geradoras de mundos mais justos. Porém, o facto de terem lutado não lhes confere direitos especiais, nem passaram a ter legitimidade para decidir quando é que a liberdade deve ser usada ou não. A liberdade não pode ser encarada como património de um grupo de pessoas, nem tão pouco admite que este mesmo grupo tenha direitos especiais sobre ela.
Quando a liberdade foi conquistada a 25 de abril, não ficou refém de quem a conquistou. Ela veio para todos sem condicionalismos de espécie alguma. O sistema mudou, as colónias africanas foram tornadas independentes, a imprensa passou a poder divulgar os seus conteúdos sem limitações, etc, etc. Neste novo mundo foram feitas opções e como consequência Portugal passou a integrar a União Europeia e os Açores passaram a ser uma região autónoma. Neste novo contexto, Portugal deveria adotar a cultura política dos seus pares europeus permitindo que o povo dos Açores pudesse organizar-se politicamente da forma que considerasse mais adequada, a defender as ideias que considere adequadas.
Em democracia não existem ideias de primeira e ideias de segunda, nem se pode reprimir o direito que os cidadãos têm de defender democraticamente as suas ideias, de uma forma organizada. Se assim for estamos perante uma sociedade onde a liberdade não chegou a todos, estamos perante um mundo diferente daquele a que Portugal aderiu e que orgulhosamente diz pertencer. Esta contradição é tão embaraçosa que alguns europeus ficam incrédulos quando são confrontados com este facto.
Para que abril se concretize a liberdade tem que chegar a todos. Não podemos pactuar com aqueles que aceitam que se reprimam alguns cidadãos porque eles pensam de forma diferente, porque no dia que aceitarmos isto estamos a ser cúmplices de pessoas que se comportam como aqueles que foram derrubados com o 25 de abril.

Ponta Delgada, 25 de abril de 2018
Rui Machado de Medeiros

sábado, 23 de dezembro de 2017

Catalunha – contra todo o centralismo, contra todas as repressões.

A FLA – Frente de Libertação dos Açores congratula os independentistas catalães que, contra todo centralismo de Madrid e de Bruxelas e contra todas as repressões, toda a violência, todos os exílios e todas as prisões, alcançaram ontem uma nova maioria parlamentar, com mais votos do que em 2015, ultrapassando os 2 milhões de votos. Fica assim provado, mais uma vez, que a força dos independentistas catalães não é uma miragem de Puidgemont e de muitos, mas sim uma cegueira de Rajoy, de Juncker e da sua velha guarda.

A única leitura possível sobre uma vitória, para as eleições na Catalunha, é que essa foi alcançada pelos independentistas que, tal como na última e interrompida legislatura, alcançaram maioria parlamentar e poderão, se assim se entenderem de novo, formar governo.

Uma nova era, para esta velha Europa, se adivinha. Uma nova Europa surge, uma Europa dos povos, das línguas, dos cidadãos, da democracia. Saem derrotados os Rajoys, os Junckers, que não acreditam na democracia, e o centralismo de Madrid, Bruxelas, Berlin, Paris, Lisboa.

Que a dignidade do povo catalão sirva de exemplo a todos os açorianos, para que acreditemos nesta nova Europa e lutemos para participar na sua construção, como um povo e como uma nação.

Que tenhamos a coragem de exigir, desde já, a Lisboa e à constituição centralista e não democrática de Portugal o direito dos açorianos independentistas se organizarem politicamente e o direito dos emigrantes açorianos votarem nas eleições parlamentares açorianas, como vimos, em ambos os casos, ontem na Catalunha.

Viva os Açores, viva a Catalunha, viva a independência dos povos, viva a democracia, viva a Europa.

Catalonia - against all the centralism, against all the repression.

FLA - Liberation Front of the Azores congratulates the Catalan independentists who, against all the centralism in Madrid and Brussels and against all the repression, all the violence, all the exiling and all the imprisonments, won yesterday a new parliamentary majority, with more votes than in 2015, surpassing now the 2 million votes. It is thus proved, once again, that the strength of Catalan independentists is not a mirage of Puidgemont and others, but a blindness of Rajoy, Juncker and their old guard.

The only possible reading on a victory for this elections in Catalonia is that it was won by the independentists, who, like in the last and interrupted legislature, reached a parliamentary majority and can, if they so wish, form a government.

A new era, for this old Europe, can be foreseen. A new Europe emerges, a Europe of the peoples, of the languages, of the citizens, of democracy. The Rajoys, the Junckers, who do not believe in democracy, and the centralism of Madrid, Brussels, Berlin, Paris, Lisbon, come out of this defeated.

May the dignity of the Catalan people serve as an example to all Azoreans, so that we may believe in this new Europe and strive to participate in its construction as a people and as a nation.

May we have the courage to demand from Lisbon and the centralist and undemocratic constitution of Portugal the right of the Azorean independentists to organize politically and the right of Azorean emigrants to vote in the Azorean parliamentary elections, as we have seen for both cases, yesterday, in Catalonia.

Viva os Açores, visca Catalunya, hurray for the independence of the peoples, hurray for democracy, hurray for Europe.